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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Eu conheci-te numa noite destas...

Eu conheci-te numa noite destas, eu sei que sim. Conheci-te algures, não me recordo onde nem como nem sequer do que falámos, mas sei que foi importante. As tuas palavras… Sábias, indispensáveis. Tu mostraste-me a verdade em tão pouco!...
Gostava de me lembrar de ti, mas fugiste-me da memória. Nem sequer sei o teu nome, não conheço o teu rosto, a tua voz… Nada! O que me ficou foi algo meio abstracto, inalcançável, mesmo como se não tivesse acontecido, ou fosse sonhado, como aqueles sonhos que sabemos que tivemos, mas nos escapam os pormenores… Como um disco riscado ou uma fita deteriorada pelo tempo.
No entanto, é bom recordar-te, sentir o eco de ti que me foge. É, ao mesmo tempo, como se estivesses sempre por perto.
Ainda bem que te conheci.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Lascivo

Eu fazia sexo

Com os homens.

Eu bebia

Vicissitudes perdidas

No tempo.


Os cheiros mais profanos!

Doces, tenros…


- Toca para mim!

Estimula o meu sentido.


Jóias roubadas

Do ventre mordido.

Veneno vertido,

Sangue escorrido…

Sem telas,

Sem braços…

Amor aos pedaços.

Tudo em gritos

De caos.


…Sempre o momento

Suspenso nas horas.

Sempre a loucura

Na forma mais pura

Perdura...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O Monstro Barbudo

São beijos poluídos
De traições apaixonadas
Afectos mordidos
Por bocas inflamadas
Gritos que saem
Dos búzios do mar
Facas lançadas
A cada olhar

E enquanto o monstro
Passeava na estrada
Crianças morreram
Em menos de nada

Onde estão os heróis?
Que ninguém as salvou
Que é feito dos anjos?
Que ninguém as guardou

A magia vive nas cartolas
E os coelhos estão fora de moda.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

what is what

what is what,
when the wolf is crying?
what is what,
when the moon is shining?
what is what,
when your dream becomes true?
what is what,
when the problem is you?

embracing the shadows of loneliness,
your heart turns to grey by the evidence...
screaming inside your everyday lament,
forget the rain
and meet the pain.

segunda-feira, 16 de março de 2009

O Cruel Riso dos Amores

Foste-te embora e deixaste o perfume para trás. Comigo ficou apenas a graça, o brilho no olhar. A força conjunta que nunca me deixaste apagar. As noites de marfim, em que nos afundávamos nos peitos exaltados de emoção, de cumplicidade. Contigo nunca soube o que esperar. Chegavas e partias abstido de porquês. Eu via-te, sorria - o peito prestes a explodir -, abraçava-te - sempre te abracei. Depois, a ansiedade, a corda esticada em demasia - será que parte? Será que não? Eu já sabia, já sabia o que vinha depois: pânico, estilhaços... cinza. Borboletas numa cadeia de chamas quebradas. O teu rosto ganhava os contornos das casas pouco nítidas, de manhã, e o primeiro passo para lá da porta de casa, nos dias de trabalho, um tropeção na tua ausência. O resto não podia dizer que fossem, de facto, passos, mas eram cair, eram queda em demasia, uma vertigem de ser levado, sem plano ou esperança futura, às nuvens paradisíacas da tua memória.

Eu metera a rosa numa jarra com água, acreditava que assim a conservaria sempre bela e viva. Todos os dias a olhava e sorria, sorria sem sorrir, o simples, o verdadeiro sorriso de um olhar. Cada dia que passava a sua beleza era mais exaltada ao abrir do seu botão. Eu deixava-a repousar na segurança, no conforto de a ter ali. Porém, a água esquecida, abandonada à estagnação do tempo, tempo que se transforma na areia desértica dos pequenos e dos grandes aconteceres, desterrados de lar, amortecidos por repetições inalteradas; e as águas, agora estagnadas, de anjo da guarda a fantasma e assombração, do botão da perfeição imaginada, brotou o decair de uma realidade impossível todos os dias e todos os momentos em que respiro. A imagem dos teus olhos bonitos, descobertos, são a visão dos meus olhos cerrados, obsoletos.

Rasguei o botão enganoso; pétalas saltavam em todas as direcções: violência, histeria, o "crack" do gelo queimado. Nem sei se as pisei ou se me fui logo embora, deixando-as ao abandono do chão abandonado. Eu não queria, eu queria voltar, juntar as pétalas todas num botão ("no" botão). Eu queria correr, regressar ao verde daquela manhã, juntar as pétalas e beijar a flor que outrora me beijou.

Foi o agarrar com o abraço dos rios que correm sem olhar a nada e tudo nutrindo. Com o abraço que não se queda nos dedos, não se quebra nas mãos, o abraço que é também um riso triunfal sobre a limitação. Com olhares de amor puro fitei, excelente e certeiro, nos olhos directos, os demónios do tempo e da saudade, da revolta e da idade. Eu permaneci inalterado, e os diabos desfaziam-se agora em jardins edénicos. E foi o auge da loucura, da carne, do sangue. O apogeu do sonho numa dança de corpos mudos, gritantes. Oh guerra primitiva, massacre de toda uma vida! E as paredes caiem em tijolos dispersos, tudo se desmorona em ascensão divina. E rimos, rimos... Ruídos de ceara à brisa (que sobre nós cresce), bailarinos do azul celeste em despistes verticais. Volto a mim, volto... olhar parado sobre as televendas no televisor de imagem turva, sem saber à quanto tempo estou aqui, quanto tempo não vi passar, desde que te perdi...



Texto de Horned Wolf e pUnChdRuNk-LoVeSiCk

domingo, 8 de março de 2009

Lamas

Lamas soltas pelo chão... O vento que sopra, mas não serve a todas as velas. Puxem-me essas cordas!... Não vão elas enrolar-se-nos ao pescoço.
A chaga do elefante morto é obra do beijo que roeu. Pega nele e foge; antes que a águia se enforque.
Dá-me o céu para pisar e deixa-te de recordações.